Programa prevê o ensino de técnicas corporais para que mulheres e adolescentes consigam se desvencilhar de agressões físicas, além de estratégias para reconhecer possíveis perigos antes que se tornem ameaças reais
O vereador Ailton da Farmácia (PSB) quer ampliar as ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher em Campinas por meio de um programa de autodefesa pessoal. A iniciativa está prevista no Projeto de Lei nº 207/2026, em tramitação na Câmara Municipal, e propõe oferecer a mulheres e adolescentes aulas práticas de defesa pessoal, além de orientações para identificar situações de risco, prevenir agressões e saber como agir diante de ameaças.
“Precisamos oferecer às mulheres ferramentas para que se sintam mais seguras e preparadas diante de situações de risco. A autodefesa não se resume a aprender movimentos físicos. Ela também envolve reconhecer perigos, desenvolver autoconfiança e saber como agir em momentos de medo ou ameaça. É mais uma iniciativa que propomos para ampliar a proteção às mulheres”, destaca Ailton da Farmácia.
O programa prevê o ensino de técnicas corporais para que mulheres e adolescentes consigam se desvencilhar de agressões físicas, além de estratégias para reconhecer possíveis perigos antes que se tornem ameaças reais. A proposta também contempla orientações sobre como proceder em casos de assédio, tomar decisões rápidas em situações de pressão e desenvolver o autocontrole diante do medo, da ansiedade e da tensão.
Outro ponto abordado pelo projeto é o desenvolvimento de uma postura firme e de uma linguagem corporal confiante, que podem contribuir para desencorajar possíveis agressores.
De acordo com o texto, as atividades deverão ser ministradas por profissionais capacitados. O Poder Público poderá promover a capacitação de servidores ou estabelecer parcerias com entidades e organizações da sociedade civil para viabilizar o programa.
As aulas poderão ser realizadas em espaços públicos, como escolas e praças de esportes, além de instituições privadas sem fins lucrativos que prestam serviços de interesse público.
Violência contra a mulher
Na justificativa do projeto, Ailton da Farmácia chama a atenção para os números da violência contra a mulher no Brasil. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em julho de 2026, apontam que o país registra, em média, quatro feminicídios por dia, um aumento de 4% em relação a 2024.
O levantamento também mostra crescimento de 17% nos registros de violência psicológica, 30% nos casos de perseguição, conhecida como stalking, e 17% nas ocorrências de descumprimento de medidas protetivas. Os registros de ameaças também cresceram 0,5%.
A realidade de Campinas e região também é mencionada na justificativa como motivo de preocupação, diante dos episódios de feminicídio e de outras formas de violência contra as mulheres.
Para o vereador, o enfrentamento desse cenário exige iniciativas que ultrapassem as medidas de proteção adotadas após a ocorrência da violência, incluindo ações educativas e preventivas que contribuam para ampliar a segurança e a autonomia feminina.
Prevenção desde a adolescência
Um dos pontos centrais da proposta é a inclusão de adolescentes entre as beneficiárias do programa. A intenção é oferecer, desde cedo, conhecimentos que contribuam para identificar comportamentos ameaçadores, desenvolver a autoconfiança e ampliar a consciência sobre a própria capacidade de reação.
A iniciativa também está alinhada às ações do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, realizada em referência à Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006.
Além da proteção física, o projeto busca estimular a segurança emocional e o conhecimento do próprio corpo, proporcionando às participantes condições para reconhecer riscos e adotar estratégias de autoproteção.


